domingo, 20 de setembro de 2026

SETEMBRO AMARELO: MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO PODEM SER SINAIS DE SOFRIMENTO EMOCIONAL ANTES DO PEDIDO DE AJUDA

 Nem sempre uma pessoa que enfrenta sofrimento emocional consegue pedir ajuda de forma explícita. Em alguns casos, os primeiros sinais podem aparecer por meio de mudanças na rotina e no comportamento, como isolamento, irritabilidade, alterações persistentes no sono ou no apetite, perda de interesse por atividades habituais e queda no rendimento escolar ou profissional.

 Durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, especialistas reforçam a importância de observar essas mudanças e estabelecer espaços de diálogo e acolhimento. O Ministério da Saúde destaca que sinais de alerta devem ser considerados em conjunto e que identificar alterações no comportamento pode contribuir para que a pessoa receba apoio e seja encaminhada para os serviços de saúde quando necessário.

Dados revelam cenário entre adolescentes - A dimensão do problema entre adolescentes aparece nos resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2026.

 Segundo o levantamento, 32% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. O percentual foi de 43,4% entre as meninas e 20,5% entre os meninos.

 Outro dado aponta para a percepção de falta de apoio. 26,1% dos estudantes afirmaram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que ninguém se preocupa com eles. Entre as meninas, o percentual chegou a 33,3%, enquanto entre os meninos foi de 19%.

 A pesquisa também mostrou que 28,9% dos adolescentes disseram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à entrevista. Entre as meninas, o índice foi de 41%, enquanto entre os meninos ficou em 16,7%.

 Apesar do percentual elevado, o indicador nacional de tristeza apresentou redução em relação a 2019, quando havia chegado a 31,4%.

Mudanças de comportamento merecem atenção - Para a psicóloga Mirella Martins Lippi, da Clínica SiM, observar mudanças persistentes é importante para diferenciar alterações pontuais de situações que podem exigir atenção profissional.

 “É natural que as pessoas passem por momentos de tristeza, irritação ou desânimo. O que merece atenção é quando essas mudanças se tornam frequentes, intensas ou começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e nas atividades que antes faziam parte da vida daquela pessoa. Nesses casos, é importante conversar e considerar a busca por avaliação profissional”, explica.

 Entre os sinais que podem merecer atenção estão o afastamento repentino de familiares e amigos, perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas, alterações persistentes no sono ou na alimentação, irritabilidade frequente, queda no desempenho escolar ou profissional e mudanças significativas na maneira de se relacionar.

 O Ministério da Saúde ressalta, porém, que esses sinais não devem ser interpretados isoladamente como uma forma de diagnosticar uma crise suicida. A presença de vários sinais ou uma mudança importante em relação ao comportamento habitual deve ser encarada como motivo para oferecer escuta, acolhimento e buscar orientação profissional.

Atenção especial durante a adolescência - A adolescência é marcada por transformações físicas, emocionais e sociais, o que pode dificultar a identificação de situações que ultrapassam as mudanças comuns dessa fase.

 Por isso, pais, familiares, professores e outros adultos de referência podem contribuir ao perceber alterações persistentes, conversar sem julgamentos e demonstrar disponibilidade para ouvir.

 A própria PeNSE passou a investigar de maneira mais ampla aspectos relacionados à saúde mental dos adolescentes, incluindo sentimentos de tristeza, preocupação, irritação, desamparo, percepção de apoio e pensamentos relacionados à vida e à autoagressão.

 O objetivo não é diagnosticar alguém a partir de um comportamento isolado, mas reconhecer mudanças importantes e criar condições para que a pessoa possa falar sobre o que está vivendo e receber ajuda quando necessário.

Onde buscar ajuda - O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem serviços de saúde, como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de emergência, também podem ser procurados serviços como UPA, pronto-socorro e o SAMU, pelo número 192.

 O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de atendimento pelos canais digitais.

Sobre a Clínica SiM - A Clínica SiM, integrante da SiMco – Healthcare Platform, é um grupo de clínicas de saúde com atuação nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco. Segundo informações institucionais fornecidas pela empresa, a rede possui mais de 230 mil beneficiários ativos e trabalha com o objetivo de ampliar o acesso a serviços de saúde.

 Mais informações sobre a Clínica SiM e seus serviços podem ser obtidas pelo site www.clinicasim.com ou pelo telefone 0800 357 6060.

Do: Blog Agreste Notícia

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