Nem sempre uma pessoa que enfrenta sofrimento emocional consegue pedir ajuda de forma explícita. Em alguns casos, os primeiros sinais podem aparecer por meio de mudanças na rotina e no comportamento, como isolamento, irritabilidade, alterações persistentes no sono ou no apetite, perda de interesse por atividades habituais e queda no rendimento escolar ou profissional.
Durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, especialistas reforçam a importância de observar essas mudanças e estabelecer espaços de diálogo e acolhimento. O Ministério da Saúde destaca que sinais de alerta devem ser considerados em conjunto e que identificar alterações no comportamento pode contribuir para que a pessoa receba apoio e seja encaminhada para os serviços de saúde quando necessário.
Dados revelam cenário entre adolescentes - A dimensão do problema entre adolescentes aparece nos resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2026.
Segundo o levantamento, 32% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. O percentual foi de 43,4% entre as meninas e 20,5% entre os meninos.
Outro dado aponta para a percepção de falta de apoio. 26,1% dos estudantes afirmaram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que ninguém se preocupa com eles. Entre as meninas, o percentual chegou a 33,3%, enquanto entre os meninos foi de 19%.
A pesquisa também mostrou que 28,9% dos adolescentes disseram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à entrevista. Entre as meninas, o índice foi de 41%, enquanto entre os meninos ficou em 16,7%.
Apesar do percentual elevado, o indicador nacional de tristeza apresentou redução em relação a 2019, quando havia chegado a 31,4%.
Mudanças de comportamento merecem atenção - Para a psicóloga Mirella Martins Lippi, da Clínica SiM, observar mudanças persistentes é importante para diferenciar alterações pontuais de situações que podem exigir atenção profissional.
“É natural que as pessoas passem por momentos de tristeza, irritação ou desânimo. O que merece atenção é quando essas mudanças se tornam frequentes, intensas ou começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e nas atividades que antes faziam parte da vida daquela pessoa. Nesses casos, é importante conversar e considerar a busca por avaliação profissional”, explica.
Entre os sinais que podem merecer atenção estão o afastamento repentino de familiares e amigos, perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas, alterações persistentes no sono ou na alimentação, irritabilidade frequente, queda no desempenho escolar ou profissional e mudanças significativas na maneira de se relacionar.
O Ministério da Saúde ressalta, porém, que esses sinais não devem ser interpretados isoladamente como uma forma de diagnosticar uma crise suicida. A presença de vários sinais ou uma mudança importante em relação ao comportamento habitual deve ser encarada como motivo para oferecer escuta, acolhimento e buscar orientação profissional.
Atenção especial durante a adolescência - A adolescência é marcada por transformações físicas, emocionais e sociais, o que pode dificultar a identificação de situações que ultrapassam as mudanças comuns dessa fase.
Por isso, pais, familiares, professores e outros adultos de referência podem contribuir ao perceber alterações persistentes, conversar sem julgamentos e demonstrar disponibilidade para ouvir.
A própria PeNSE passou a investigar de maneira mais ampla aspectos relacionados à saúde mental dos adolescentes, incluindo sentimentos de tristeza, preocupação, irritação, desamparo, percepção de apoio e pensamentos relacionados à vida e à autoagressão.
O objetivo não é diagnosticar alguém a partir de um comportamento isolado, mas reconhecer mudanças importantes e criar condições para que a pessoa possa falar sobre o que está vivendo e receber ajuda quando necessário.
Onde buscar ajuda - O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento procurem serviços de saúde, como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de emergência, também podem ser procurados serviços como UPA, pronto-socorro e o SAMU, pelo número 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de atendimento pelos canais digitais.
Sobre a Clínica SiM - A Clínica SiM, integrante da SiMco – Healthcare Platform, é um grupo de clínicas de saúde com atuação nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco. Segundo informações institucionais fornecidas pela empresa, a rede possui mais de 230 mil beneficiários ativos e trabalha com o objetivo de ampliar o acesso a serviços de saúde.
Mais informações sobre a Clínica SiM e seus serviços podem ser obtidas pelo site www.clinicasim.com ou pelo telefone 0800 357 6060.
Do: Blog Agreste Notícia