segunda-feira, 12 de outubro de 2026

DESUNIÃO PROGRESSISTA: DISPUTA ENTRE DA FONTE E MIGUEL COELHO TERMINA COM AMBOS DERROTADOS

 A Federação União Progressista, formada pelo Progressistas (PP) e pelo União Brasil, foi criada com a proposta de fortalecer as duas legendas por meio de uma atuação conjunta durante quatro anos. Em Pernambuco, porém, a aliança acabou marcada por divergências internas, disputas pelo comando e interesses eleitorais conflitantes. O resultado foi um cenário em que Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, principais lideranças estaduais dos dois partidos, terminaram a eleição sem alcançar os objetivos que haviam colocado em disputa.

 A União Progressista conseguiu ser oficializada para as eleições de 2026 e ganhou projeção nacional pelo peso político das duas siglas e pela participação nos recursos dos fundos partidário e eleitoral. Em Pernambuco, entretanto, a união formal não foi suficiente para garantir entendimento entre seus dirigentes.

Disputa pelo comando e pelo Senado - De um lado, estava o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do PP. Do outro, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, dirigente estadual do União Brasil. A disputa pelo comando da federação se tornou um dos principais pontos de atrito.

 Eduardo da Fonte conquistou a presidência estadual da estrutura, respaldado pela representação parlamentar do PP, que contava com três deputados federais e oito estaduais. O União Brasil, liderado por Miguel Coelho, possuía dois deputados federais e um estadual. A definição, no entanto, não encerrou as divergências.

 O conflito ganhou ainda mais força quando os dois passaram a disputar espaço nas articulações para o Senado Federal. Eduardo da Fonte e Miguel Coelho buscavam viabilizar suas candidaturas e negociaram com os principais grupos políticos de Pernambuco, incluindo o do ex-prefeito do Recife João Campos e o da governadora Raquel Lyra.

 Enquanto Miguel Coelho negociava publicamente com João Campos, Eduardo da Fonte também articulava nos bastidores. As conversas com os dois campos políticos demonstravam a tentativa de encontrar espaço em uma chapa majoritária, mas a falta de entendimento entre os integrantes da federação dificultava a construção de uma estratégia comum.

Eduardo foi escolhido para o Senado, mas Miguel ficou de fora - O impasse se prolongou até a véspera da convenção da governadora Raquel Lyra, quando Eduardo da Fonte foi confirmado para disputar uma vaga no Senado pela composição política da governadora.

 Contrariado com o desfecho das negociações, Miguel Coelho não compareceu à convenção. A definição representou uma vitória de Eduardo na disputa interna pelo espaço na chapa majoritária, mas não significou o encerramento das divergências que marcaram a federação em Pernambuco.

 Sem viabilizar sua candidatura ao Senado, Miguel Coelho disputou uma vaga de deputado federal. Ao final da eleição, porém, nenhum dos dois conseguiu alcançar o objetivo eleitoral pretendido: Eduardo da Fonte não conquistou a vaga no Senado, enquanto Miguel Coelho também terminou sem êxito na disputa para a Câmara dos Deputados.

Uma federação que não conseguiu transformar força em resultado - O episódio levanta questionamentos sobre a capacidade de uma federação partidária de converter sua força institucional em resultados eleitorais quando suas principais lideranças não conseguem estabelecer uma estratégia conjunta.

 A União Progressista foi criada para ampliar o poder político do PP e do União Brasil, mas, em Pernambuco, a disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho expôs as dificuldades de conciliar projetos individuais dentro de uma mesma estrutura partidária.

 No balanço final, a chamada “Desunião Progressista” tornou-se uma expressão para resumir o desfecho da aliança no estado: dois dirigentes disputaram espaço, protagonizaram um longo impasse e terminaram a eleição sem conquistar os cargos que buscavam. A experiência mostrou que o tamanho de uma federação, por si só, não garante unidade política nem sucesso nas urnas.

Do: Blog Agreste Notícia

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