A Federação União Progressista, formada pelo
Progressistas (PP) e pelo União Brasil, foi criada com a proposta de fortalecer
as duas legendas por meio de uma atuação conjunta durante quatro anos. Em
Pernambuco, porém, a aliança acabou marcada por divergências internas, disputas
pelo comando e interesses eleitorais conflitantes. O resultado foi um cenário
em que Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, principais lideranças estaduais dos
dois partidos, terminaram a eleição sem alcançar os objetivos que haviam
colocado em disputa.
A União Progressista conseguiu ser oficializada
para as eleições de 2026 e ganhou projeção nacional pelo peso político das duas
siglas e pela participação nos recursos dos fundos partidário e eleitoral. Em
Pernambuco, entretanto, a união formal não foi suficiente para garantir
entendimento entre seus dirigentes.
Disputa pelo comando e pelo
Senado - De um
lado, estava o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do PP. Do
outro, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, dirigente estadual do União
Brasil. A disputa pelo comando da federação se tornou um dos principais pontos
de atrito.
Eduardo da Fonte conquistou a presidência
estadual da estrutura, respaldado pela representação parlamentar do PP, que
contava com três deputados federais e oito estaduais. O União Brasil, liderado
por Miguel Coelho, possuía dois deputados federais e um estadual. A definição,
no entanto, não encerrou as divergências.
O conflito ganhou ainda mais força quando os
dois passaram a disputar espaço nas articulações para o Senado Federal. Eduardo
da Fonte e Miguel Coelho buscavam viabilizar suas candidaturas e negociaram com
os principais grupos políticos de Pernambuco, incluindo o do ex-prefeito do
Recife João Campos e o da governadora Raquel Lyra.
Enquanto Miguel Coelho negociava publicamente
com João Campos, Eduardo da Fonte também articulava nos bastidores. As
conversas com os dois campos políticos demonstravam a tentativa de encontrar
espaço em uma chapa majoritária, mas a falta de entendimento entre os
integrantes da federação dificultava a construção de uma estratégia comum.
Eduardo foi escolhido para o
Senado, mas Miguel ficou de fora -
O impasse se prolongou até a véspera da convenção da governadora Raquel Lyra,
quando Eduardo da Fonte foi confirmado para disputar uma vaga no Senado pela
composição política da governadora.
Contrariado com o desfecho das negociações,
Miguel Coelho não compareceu à convenção. A definição representou uma vitória
de Eduardo na disputa interna pelo espaço na chapa majoritária, mas não
significou o encerramento das divergências que marcaram a federação em
Pernambuco.
Sem viabilizar sua candidatura ao Senado,
Miguel Coelho disputou uma vaga de deputado federal. Ao final da eleição,
porém, nenhum dos dois conseguiu alcançar o objetivo eleitoral pretendido:
Eduardo da Fonte não conquistou a vaga no Senado, enquanto Miguel Coelho também
terminou sem êxito na disputa para a Câmara dos Deputados.
Uma federação que não
conseguiu transformar força em resultado - O episódio levanta questionamentos sobre a capacidade
de uma federação partidária de converter sua força institucional em resultados
eleitorais quando suas principais lideranças não conseguem estabelecer uma
estratégia conjunta.
A União Progressista foi criada para ampliar o
poder político do PP e do União Brasil, mas, em Pernambuco, a disputa entre
Eduardo da Fonte e Miguel Coelho expôs as dificuldades de conciliar projetos
individuais dentro de uma mesma estrutura partidária.
No balanço final, a chamada “Desunião
Progressista” tornou-se uma expressão para resumir o desfecho da aliança no
estado: dois dirigentes disputaram espaço, protagonizaram um longo impasse e
terminaram a eleição sem conquistar os cargos que buscavam. A experiência
mostrou que o tamanho de uma federação, por si só, não garante unidade política
nem sucesso nas urnas.
Do: Blog Agreste Notícia


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