quarta-feira, 1 de julho de 2026

TCE-PE REFORMA DECISÃO E JULGA IRREGULARES CONTAS DE JULIANA DE CHAPARRAL REFERENTES A 2021

 O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) reformou uma decisão anterior e passou a considerar irregulares as contas da ex-prefeita de Casinhas, Juliana Barbosa da Silva Aguiar, conhecida como Juliana de Chaparral, referentes ao exercício de 2021.

 A decisão foi publicada no Diário Oficial do TCE-PE e foi tomada por unanimidade durante sessão do Pleno. Os conselheiros deram provimento a um recurso apresentado pelo Ministério Público de Contas (MPC) contra o Acórdão nº 2.377/2025, que anteriormente havia julgado as contas regulares com ressalvas, no âmbito de uma Auditoria Especial.

Criação de cargos comissionados motivou mudança - O processo analisou a criação de cargos comissionados por meio da Lei Municipal nº 396/2021. Segundo o Tribunal, a legislação instituiu 120 cargos de "Assessor de Apoio à Secretaria", com atribuições consideradas genéricas e incompatíveis com as funções de direção, chefia e assessoramento, que são as únicas permitidas para cargos em comissão, conforme determina o artigo 37 da Constituição Federal.

 Na avaliação do TCE-PE, a estrutura criada pela gestão municipal desvirtuou a finalidade dos cargos comissionados.

Tribunal apontou excesso de cargos - Na decisão, o Tribunal destacou que o município de Casinhas possui cerca de 14,4 mil habitantes e apenas seis secretarias municipais. Mesmo assim, foram criados, em média, 20 cargos de assessor para cada secretaria.

 Ainda conforme o levantamento, à época da auditoria o município contava com 201 servidores ocupando cargos comissionados e 392 servidores efetivos.

 Para a Corte de Contas, essa proporção evidencia uma utilização excessiva de cargos de livre nomeação, caracterizando uma burla ao princípio constitucional do concurso público.

Determinações à atual gestão - Com a reforma do julgamento, as contas da ex-prefeita referentes à Auditoria Especial de 2021 passaram oficialmente à condição de irregulares.

 Além disso, o TCE-PE determinou que a atual administração da Prefeitura de Casinhas adote uma série de medidas no prazo de 360 dias, entre elas:

Realizar um levantamento da necessidade de pessoal do município;

Promover concurso público para ampliar o quadro de servidores efetivos;

Encaminhar projeto de lei à Câmara Municipal reduzindo o número de cargos comissionados e adequando a estrutura administrativa às exigências da Constituição Federal.

 A decisão reforça o entendimento do Tribunal de Contas de que a criação e manutenção de cargos comissionados devem obedecer aos princípios constitucionais da administração pública, evitando o uso indiscriminado dessas funções em substituição ao ingresso de servidores por meio de concurso público.

Do: Blog Agreste Notícia

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