Uma pesquisa divulgada pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE) revelou que a grande maioria dos empresários do Polo de Confecções do Estado acredita que a extinção da tributação sobre importações de pequeno valor, popularmente conhecida como "Taxa das Blusinhas", deverá trazer impactos negativos para a indústria regional.
De acordo com a edição especial do Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções (ICETEC), realizada em parceria com a Macro BI Consultoria, 81% dos empresários classificam a medida como negativa ou muito negativa para o setor.
O levantamento mostra ainda que 90,5% dos entrevistados afirmam conhecer a mudança na legislação e 78,6% dizem possuir alto ou médio nível de conhecimento sobre os efeitos da alteração no mercado.
Concorrência com produtos importados preocupa empresários - Entre os principais impactos apontados pela pesquisa, 83,3% dos confeccionistas acreditam que haverá aumento imediato da concorrência com produtos importados comercializados por plataformas internacionais.
As maiores preocupações são:
- 33,3% apontam possível redução das vendas;
- 31% temem uma pressão para redução dos preços no mercado nacional;
- 19% acreditam que haverá diminuição das margens de lucro.
O estudo também evidencia que boa parte das empresas ainda não se considera preparada para enfrentar esse novo cenário competitivo. Apenas 31% afirmam estar prontas para competir em igualdade de condições, enquanto 66,6% dizem estar apenas parcialmente ou pouco preparadas.
Produção e empregos podem ser afetados - Os reflexos também devem atingir a produção e o mercado de trabalho.
Segundo a pesquisa, 50% das empresas pretendem reduzir o volume de produção nos próximos meses.
Já em relação aos empregos, 61,9% dos empresários preveem impactos negativos na geração de vagas. Desse total:
- 35,7% afirmam que pretendem desacelerar ou suspender novas contratações;
- 26,2% admitem que poderão realizar demissões.
A redução do quadro de funcionários, inclusive, foi apontada por 33,3% dos entrevistados como uma das primeiras estratégias para enfrentar o aumento da concorrência.
Empresários cobram apoio do Governo - Outro dado que chama atenção é que 95,2% dos empresários defendem a adoção de medidas governamentais para fortalecer o Polo de Confecções.
Entre as principais reivindicações estão:
- Redução da carga tributária (52,4%);
- Linhas de crédito para capital de giro (47,6%);
- Fortalecimento dos centros de compras do Polo (38,1%);
- Novos mecanismos de proteção à indústria nacional (38,1%);
- Incentivos à indústria local (28,6%);
- Investimentos em inovação tecnológica (26,2%);
- Programas de incentivo às exportações (21,4%).
NTCPE destaca necessidade de ações para preservar competitividade - Para o diretor-presidente do NTCPE, Pedro Miranda, os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de ações conjuntas entre o setor produtivo e o poder público.
“O Polo de Confecções é um motor socioeconômico vital para Pernambuco. Os resultados do ICETEC reforçam a necessidade urgente de combinarmos inovação, produtividade e políticas que equilibrem as regras do jogo para preservar a competitividade e os empregos da nossa região”, afirmou.
Pedro Miranda destacou ainda que, após a edição da Medida Provisória relacionada ao tema, o Governo de Pernambuco convocou representantes do setor para construir uma agenda estratégica destinada a reduzir os impactos da concorrência internacional.
Segundo ele, o NTCPE participa ativamente dessas discussões para minimizar os efeitos da entrada de produtos asiáticos comercializados por plataformas de comércio eletrônico.
Sobre o ICETEC - O Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções (ICETEC) é um levantamento desenvolvido pelo NTCPE em parceria com a Macro BI Consultoria, com o objetivo de acompanhar o sentimento dos empresários e subsidiar políticas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da moda em Pernambuco.
Nesta edição especial, o estudo analisou exclusivamente os impactos da extinção da tributação sobre importações de pequeno valor, tema que tem gerado preocupação entre empresários do Polo de Confecções do Agreste, um dos principais polos têxteis do Brasil.
Do: Blog Agreste Notícia
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