Na análise do presidente da CNDL, Honório Pinheiro, as consecutivas altas da inadimplência neste segundo trimestre de 2015 coincide com o período de piora dos indicadores macroeconômicos, como inflação, renda e emprego, que afetam a capacidade de pagamento das famílias. "Ao longo do segundo semestre de 2014, o indicador vinha sendo puxado para baixo por conta da menor disponibilidade de crédito na economia. No entanto, a partir de março de 2015, o que se verifica é um novo repique da inadimplência. A alta dos preços diminui o poder de compra do brasileiro, que já encontra dificuldades em honrar o pagamento de suas dívidas em dia", explica Honório.
Na comparação mensal, entre abril e maio deste ano, o número de pessoas inadimplentes também apresentou uma ligeira aceleração, passando de 1,16% para uma alta de 1,20%. De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o aumento na base mensal de comparação, sem sazonalidade, foi puxado principalmente pelos devedores que têm dívidas atrasadas entre 91 e 181 dias - crescimento de 7,27%.
“O dado sugere que os novos inadimplentes se concentram no grupo que adquiriu dívidas no início do ano e no período natalino do ano passado”, afirma Marcela.Brasileiro atrasa dívidas com contas básicas - A abertura do indicador de dívidas em atraso por setor da economia revela que o brasileiro tem enfrentado dificuldades para realizar o pagamento, até mesmo, de contas básicas. O maior avanço no número de dívidas foi causado pelos atrasos cujos credores são as empresas concessionárias de serviços como água e luz, com alta de 13,31% na base anual de comparação.
“O resultado também reflete a disposição crescente dessas concessionárias em negativar os consumidores inadimplentes, como forma de acelerar o recebimento dos compromissos em atraso”, afirma a economista do SPC Brasil.Em segundo lugar, destaca-se o crescimento de 12,02% das dívidas cujos credores são do segmento de telefonia, internet e TV por assinatura, seguido pelo segmento de bancos, que engloba dívidas no cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e seguros, com alta de 10,10%. Com relação aos bancos, destaca-se o fato de que a inadimplência neste segmento tem acelerado - em janeiro as dívidas em atraso com o setor cresciam somente 2,39%. Além disso, ainda que o crescimento das dívidas no setor de contas de água e luz seja o principal destaque do mês de maio, o ramo de bancos é o principal setor credor com participação de quase metade (48,56%) no total de dívidas em atraso, seguido do comércio, com 19,85%, que no último mês mostrou queda (-0,29%) na base anual de comparação.
Dívidas em atraso são concentradas nas faixas de 30 a 49 anos - Os adultos com idade entre 30 e 39 anos são os brasileiros que detém a maior parte das dívidas atrasadas no país - 29,15% do total.
“Isto acontece porque nesta fase da vida os gastos como a compra de imóveis, carros e despesas com os filhos são bastante consideráveis”, justifica a economista Marcela Kawauti.Já o crescimento de dívidas atrasadas foi maior entre os consumidores mais velhos: crescimento anual de 10,18% entre os brasileiros com idade que vai de 85 a 94 anos e alta de 9,10% para os consumidores da faixa de 65 a 84 anos. Os economistas do SPC Brasil explicam que o aumento da expectativa e a melhora na qualidade de vida do brasileiro e, consequentemente, a permanência por um período mais prolongado no mercado de trabalho e de consumo é um dos fatores principais que explicam o expressivo aumento da população com idade mais elevada nos cadastros de inadimplentes.
“Outros motivos que também impactam a vida financeira deste grupo são a diminuição da renda real com a aposentadoria, o aumento das despesas com remédios e planos de saúde, a facilidade para contrair empréstimos consignados e a prática de emprestar o nome para terceiros realizarem compras a prazo, geralmente familiares”, explica a economista.Metodologia - O indicador de inadimplência do consumidor sumariza todas as informações disponíveis nas bases de dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). A abrangência é nacional, com informações de capitais e interior das 27 unidades da federação.
Do: Blog Agreste Notícia

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